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A importância das pessoas para a execução da estratégia

Professor da Harvard Business School e um dos criadores da consagrada metodologia Balanced Scorecard, Robert Kaplan esteve em junho no Brasil para participar do Strategy Execution Summit, evento promovido pela consultoria Symnetics. Na ocasião, ele concedeu uma entrevista à diretora de Educação da consultoria, Maria Auxiliadora Moraes Amiden, publicada com exclusividade nesta edição. Veja, a seguir, a opinião do professor Kaplan sobre qual o papel das pessoas e dos líderes para a execução da estratégia neste contexto desafiante de mercado.

Cada vez mais, as pessoas são críticas para a execução bem-sucedida da estratégia. No entanto, uma vez que as organizações ainda se concentram em processos e tecnologia como pontos-chave de diferenciação competitiva, a importância do papel das pessoas nem sempre é discutida e compreendida. O que o sr. pensa sobre isso?

RK – O ponto central do desenvolvimento do Balanced Scorecard (BSC) e do mapa estratégico é que nenhum elemento, por si só, é suficiente para o sucesso da estratégia. Esta requer uma cadeia de conexões que liga as pessoas e a cultura aos processos e clientes, e, finalmente, ao desempenho financeiro. E, como em qualquer corrente, todos os elos são importantes e a corrente é tão forte quanto seu elo mais fraco. Norton [David Norton, coidealizador do BSC] e eu ligamos as pessoas à estratégia quando criamos o Aprendizado & Crescimento, perspectiva que foi a base do mapa estratégico e do BSC. Mas mesmo com funcionários motivados e alinhados, eles precisam ter foco na excelência dos processos mais importantes para a entrega de valor para clientes e acionistas.

Qual é o papel da liderança nesse ambiente de negócios altamente dinâmico que temos agora?

RK – A liderança é absolutamente crítica. É necessária para lidar com a concorrência e a mudança, e para criar a visão do que a organização precisa se tornar. O maior problema que uma organização pode ter é quando os líderes são complacentes porque a empresa tem um bom desempenho e não veem a necessidade ou urgência de mudar. No atual e dinâmico ambiente de negócios, os líderes devem verificar constantemente o cenário econômico, regulatório e competitivo para determinar que mudanças devem ocorrer a fim de manter a organização como líder em seu campo. Os líderes precisam desafiar continuamente a empresa para um melhor desempenho, e ser comunicadores eficientes e motivadores para todos na empresa.

Qual é o princípio básico subjacente a estratégias de colaboração?

RK – Uma estratégia colaborativa é aquela que é determinada conjuntamente por uma empresa e um ou mais dos seus componentes externos. A estratégia de colaboração mais comum se dá quando uma empresa e um fornecedor-chave ou cliente trabalham juntos para definir os objetivos que pretendem alcançar em conjunto através de um relacionamento ou aliança em vez de conduzir suas relações pelo mercado de transações. Temos visto empresas, como a Infosys e a Solvay, uma grande companhia farmacêutica, desenvolver mapas estratégicos, com seus principais clientes ou fornecedores, para definir a natureza da relação que eles desejam alcançar. Desenvolver o mapa estratégico em conjunto promove confiança e compreensão entre as linhas de organização, serve como um mecanismo de comunicação para as pessoas de ambas as empresas que trabalham com a outra empresa, e também permite um poderoso mecanismo de governança para orientar o relacionamento ao longo do tempo.

Qual seria o seu conselho para os departamentos de RH brasileiros neste momento de desenvolvimento econômico e escassez de mão de obra?

RK – Os departamentos de RH devem tornar-se parceiros estratégicos das unidades de negócios da empresa. Eles devem servir como consultores de confiança dessas unidades no recrutamento e treinamento e na motivação e retenção dos empregados. Com efeito, o pessoal de RH deve adotar uma estratégia de intimidade com o cliente ou criar soluções estratégicas em parceria com as unidades de negócios para garantir um fornecimento adequado de funcionários treinados, motivados e leais que podem construir sua carreira com a empresa.

Página do Estado 30 de Setembro de 2012

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