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CIEE pretende dobrar a capacidade de atendimento aos jovens

Embora atenda cerca de 200 mil estagiários e 100 mil aprendizes, o CIEE – Centro de Integração Empresa-Escola tem uma demanda registrada em seus cadastros de 3 milhões de estudantes que esperam por uma vaga. Para diminuir esse gap, a entidade está investindo em um amplo programa de modernização tecnológica e na criação de uma universidade corporativa a fim de dobrar e melhorar a capacidade de atendimento aos jovens nos próximos cinco anos. Para explicar como tudo isso tem sido feito, o jornal Gestão de Pessoas entrevistou Humberto Casagrande, superintendente geral do CIEE. Confira:

GESTÃO DE PESSOAS – Como o CIEE pretende dobrar a capacidade de atendimento aos jovens nos próximos cinco anos?

HUMBERTO CASAGRANDE – Hoje atendemos 300 mil jovens. Aproximadamente 200 mil estagiários e 100 mil aprendizes, mas temos uma demanda registrada em nossos cadastros de 3 milhões de estudantes – 1,8 milhão que querem fazer estágio e 1,2 milhão interessados no Programa Aprendiz. Portanto, passou a ser imperioso o crescimento para atender pelo menos 600 mil desses jovens em cinco anos. Para que isso aconteça, estamos nos preparando internamente com um amplo programa de modernização tecnológica. Temos investido pesado em um plano trienal para modernizar todo o nosso sistema operacional, que vai reorganizar o cadastro dos jovens, das empresas e universidades. Paralelamente, refizemos o nosso portal, cuja nova versão entrará no ar em julho. Todas as nossas operações poderão ser feitas pelo portal.

GP – Vocês também pretendem aumentar o número de empresas conveniadas?

HC – São dois movimentos: primeiramente, como vamos receber mais gente aqui, precisamos estar com a casa preparada para isso. O segundo grande movimento é contatar as empresas públicas e privadas para aumentar o número de vagas – atualmente contamos com 35 mil empresas ativas. Temos realizado um trabalho grande de comunicação e aproximação por meio dos nossos 200 consultores, que fazem as visitas para incentivar as empresas a abrir o maior número de vagas.

GP – O investimento em uma Universidade Corporativa, a UniCIEE, voltada exclusivamente para colaboradores internos, faz parte desse processo?

HC – Sim, a Universidade Corporativa é uma iniciativa para treinar e capacitar nossos 2.500 funcionários. Criamos uma grade de cursos, sobre a Lei do Estágio, informática, português, técnicas gerenciais, entre outros temas, para aprimorar melhor as competências do nosso capital humano.

GP – Qual o balanço do ano passado? Houve crescimento apesar da crise?

HC – Tivemos um crescimento importante da ordem de 7,5% no ano, o que permitiu que conseguíssemos superar esse ambiente de crise. E iniciamos 2018 muito bem. Os meses de janeiro e fevereiro deste ano foram muito melhores que os mesmos meses de 2017. Isso tem ocorrido não só pela melhoria da maneira de trabalhar aqui, mas também pela melhoria do mercado. As empresas estão mais confiantes quanto ao futuro e, por isso, contratando mais tanto estagiários quanto aprendizes. O aprendiz tem uma situação diferente, pois existe uma cota legal. Se todas as empresas cumprissem a cota, deveríamos ter 1,2 milhão de aprendizes no Brasil, mas só 25% desse total está contratado. Temos procurado mostrar para as empresas que o programa é valoroso como negócio, não só como cota, pois o aprendiz forma a mão de obra do futuro de acordo com a cultura da empresa.

GP – A ABRH-SP é parceira do CIEE no Prêmio Melhores Programas de Estágio, que terá a próxima premiação anunciada em abril. Que balanço o sr. faz desta edição?

HC – Ainda estamos fechando o processo, mas posso adiantar que tivemos uma participação muito significativa. Estamos bastante animados porque o prêmio foi retomado no ano passado. Havia sofrido uma pequena descontinuidade, mas voltamos com bastante entusiasmo.

GP – Como o sr. avalia os programas de estágio das empresas na atualidade?

HC – Acredito que estão melhorando. As empresas que têm tradição de ter estagiários estão cada vez mais encontrando atividades saudáveis para que o estágio consiga ser bom para os dois lados. Notamos, porém, um maior desafio nas empresas que não têm tradição de ter estagiários. Uma certa paralisação. Aquelas que possuem uma larga tradição continuam se aprimorando, mas não aumentamos o número de empresas que vêm se juntar a essas. Temos de trabalhar mais para mostrar que estágio não é algo só para as grandes. As pequenas e médias também podem ter seus estagiários. Por isso, precisamos divulgar mais como funciona juridicamente o programa, que não há pagamento de encargos sociais, nem risco trabalhista, e que é um instrumento muito bom de RH na medida em que possibilita a formação de mão de obra futura. Precisamos catequisar mais.

Fonte: O Estado de São Paulo, 11 de Março de 2018.

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