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MENSAGEM: Uma questão de perspectiva…

Perguntados, muitos economistas e empresários preveem uma crescente complexidade e volatilidade nos negócios para 2014. Vejo esse sentimento quase generalizado espalhando uma forte dose de incerteza e insegurança nos gestores, que, diante desse cenário, estabelecem dois comportamentos: se retraem, receosos do futuro; ou continuam a investir apesar do pessimismo alheio, enxergando oportunidades onde outros veem somente dificuldades.

Infelizmente, o primeiro comportamento parece prevalecer no Brasil. E a explicação para isso está na nossa própria cultura. Em seu famoso estudo, o professor Geert Hofstede estabeleceu cinco dimensões que identificam e esclarecem a cultura de dezenas de nações ou países, sendo uma delas a “aversão à incerteza”. De forma interessante, o Brasil apresenta um dos maiores índices de “aversão à incerteza”, ou seja, o grau em que as pessoas se sentem ameaçadas por incertezas e ambiguidades e tentam evitar esse tipo de situação, por exemplo, tentando controlar o incontrolável.

Nosso país (com 76 pontos absolutos) encontra-se distante daqueles com os menores índices de aversão à incerteza, a exemplo de Cingapura (apenas 8), China (30) e Inglaterra (35). Só para ficar com este último, lembremos que os ingleses navegaram pelo mundo desconhecido para construir seu império, aceitando o risco da aventura e do empreendimento.

Outro dado revelador da aversão do brasileiro ao risco é o número de cesáreas realizadas no país. No relatório global do Unicef (Situação Mundial da Infância), de 2011, a taxa de cesárea no Brasil aparece como a maior do mundo, com 44%. Muito acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMC), que estabelece que apenas 15% dos partos devem ser operatórios. No Brasil, infelizmente, uma boa parte das mães e dos médicos prefere a data marcada da cesárea à incerteza do parto natural.

Em resumo, nós, brasileiros, tendemos a evitar o risco, a olhar a vida com receio e achar o ambiente mais negro do que ele realmente é. Só uma minoria tem o prazer de se aventurar, empreender e inovar. A boa notícia, porém, é que esse comportamento pode ser modificado. É possível educar pessoas, e suas empresas, para que sejam capazes de lidar com o novo e aprendam o prazer da descoberta. 

Como RHs, temos o papel de iluminar as pessoas e empresas nesse sentido. Podemos fazer isso: ensiná-las a ver e reagir de forma diferente da forma de hoje, para o bem de todos. Se outras culturas o fazem, então é possível fazer. Temos a capacidade e precisamos criar um futuro diferente e melhor. Todos sabemos que criamos nosso futuro quando começamos primeiro a sonhar e, depois, a moldar em nossas mentes o futuro que desejamos.

Desejo que 2014 seja cheio de aventuras, inovações e realizações para todos os profissionais de RH e também para aqueles que se beneficiam de seu trabalho!

Almiro dos Reis Neto é presidente da ABRH-SP e da Franquality Consultores

O Estado do Estado de São Paulo


Página Semanal ABRH-SP – 29 de dezembro

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