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Prefeito convoca os RHs

Um dos destaques do CONARH 2017, realizado de 15 a 17 de agosto, foi a participação do prefeito de São Paulo João Doria. Ao falar do programa Trabalho Novo, iniciativa que insere os moradores em situação de rua no mercado de trabalho por meio de parcerias com a iniciativa privada, e que conta com amplo apoio prático da ABRH-SP desde o seu lançamento em janeiro deste ano, o prefeito emocionou os congressistas e convocou os RHs a aderirem ao programa.

Segundo o prefeito, mais de 25 mil pessoas vivem desabrigadas na capital. “Não é possível conviver com essa situação como se isso fizesse parte da paisagem da cidade. Não é justo. Não é correto. Não é adequado. Nós resolvemos fazer o enfrentamento dessa questão sem assistencialismo. Dar uma chance de vida a pessoas nas ruas que não têm chance nenhuma, exceto sobreviver. Enquanto, com o trabalho, elas têm a oportunidade da cidadania para retomarem suas vidas e recomporem suas famílias”, disse.

 Para o prefeito, esse enfrentamento exige participação coletiva. “Não é o trabalho de uma pessoa, duas pessoas, mesmo de um prefeito isoladamente. Só vamos realizar a mudança se vocês de Recursos Humanos colaborarem e ajudarem oferecendo vagas nas suas empresas. Aí, sim, vamos fazer uma transformação solidária. E, se o exemplo de São Paulo puder ser seguido por outras cidades, vamos cumprir com o nosso papel de fazer com que São Paulo demonstre ser uma capital solidária com todos os brasileiros.”

João Doria destacou a parceria da ABRH-SP, que tem apoiado a Pprefeitura de forma substantiva – a Associação tem feito a intermediação com os RHs das empresas e já conseguiu que McDonald´s, Fran´s Café, Vivenda do Camarão, Bayer, Serasa Experian, T. Christina Confecções e outras aderissem ao programa. “O Trabalho Novo foi lançado para dar dignidade aos moradores em situação de rua por meio da carteira assinada e com todos os benefícios sociais oferecidos pelas empresas, como vale-transporte, vale-refeição, assistência médica e outros. Quando conhecemos o programa em janeiro deste ano, decidimos apoiar a prefeitura de maneira efetiva e irrestrita nesse desafio. Agora temos de mostrar que também contamos com o apoio dos profissionais de Recursos Humanos, que são os responsáveis por disponibilizar vagas nas suas empresas”, disse o presidente da ABRH-SP, Theunis Marinho, que esteve com o prefeito no palco do CONARH.

A organização do evento também disponibilizou gratuitamente 36 metros quadrados para a instalação de um estande do Trabalho Novo na EXPO ABRH, feira de negócios do CONARH. Lá os visitantes tinham à disposição mais informações sobre o programa. O secretário municipal de Assistência e Desenvolvimento Social de São Paulo, Filipe Sabará, também apresentou uma palestra durante o evento para falar mais sobre o Trabalho Novo.

De acordo com o secretário, desde janeiro deste ano, o programa já conseguiu empregar 1.141 pessoas em situação de rua com mais de 90% de retenção, “Não adianta apenas abordar e acolher sem gerar autonomia e renda para essas pessoas”, disse Filipe Sabará durante a palestra. “O diálogo harmônico entre os setores da sociedade é imprescindível para quem quer garantir direitos a quem mais precisa”, concluiu.

 

Novas adesões

Uma das empresas que acabou de aderir ao Trabalho Novo foi a Serasa Experian, por meio da intermediação do seu vice-presidente de Desenvolvimento Humano Guilherme Cavalieri, que também integra a diretoria executiva da ABRH-SP. “A Serasa Experian acredita na relevância do papel social das empresas e na geração de riquezas que se dá pela oferta de trabalho. O Programa Trabalho Novo da Prefeitura de São Paulo vem ao encontro das nossas diversas ações junto à sociedade, por isso, já estamos trabalhando com os nossos parceiros e prestadores de serviços para que em conjunto possamos oferecer oportunidades e inserir essas pessoas dentro do nosso ambiente de trabalho, que tem como premissa uma cultura inclusiva”, afirma o presidente da Serasa Experian e Experian América Latina, José Luiz Rossi.

Empresas de pequeno e médio porte também são muito bem-vindas e estão aderindo ao programa, como a T. Christina Confecções. Foi a diretora da ABRH-SP Sorocaba, Sonia Padilha Manoel, quem levou o programa para a empresa na qual atua como consultora de gestão de pessoas. “O Trabalho Novo tem um propósito forte e isso chamou a minha atenção. Apresentei o projeto para a proprietária Claudia Cicolo e ela decidiu apoiar. Foram abertas cinco vagas e até agora preenchemos quatro: uma no almoxarifado e três na área de logística.”

O processo de contratação foi igual ao dos demais funcionários – a T. Chistina tem atualmente 300 colaboradores. “Contratamos gente com possibilidades reais de ficar na confecção. Tem sido uma emoção para todos os envolvidos. Uma dessas pessoas, apesar de ter mais de 40 anos, nunca tinha tido um emprego com carteira assinada. Estou trabalhando para que mais empresas sejam parceiras do programa”, finaliza Sonia.

 

Balanço do programa

“São seis meses de Trabalho Novo e o programa superou a marca de 1.000 pessoas inseridas no mercado de trabalho. É um indicador inédito. Nunca se ouviu falar de um programa para inclusão social da população em situação de rua que tenha inserido 1.000 pessoas no mercado formal de trabalho. O Trabalho Novo também tem uma característica muito especial: não se trata de bolsa de renda mínima, mas de emprego real e salário real, gerando autonomia de vida.

Neste momento, além da escala de contratações, o programa pode celebrar o elevado percentual de adequação ao trabalho – cerca de 91% dos contratados permanecem. E 10% deles já alugaram quarto para morar ou se colocaram em repúblicas, saindo da dependência dos centros de acolhimento da Prefeitura. É um resultado muito importante, porque finalmente a política social encontra porta de saída da assistência social tradicional.

Tudo isso se deve à aliança e convergência de esforços entre o poder público e a iniciativa empresarial. E, nesse sentido, destaco o papel da ABRH-SP, liderada pelo Theunis Marinho, pela qualidade com que tem articulado importantes segmentos empresariais a se engajarem na contratação de pessoas em situação de rua.

Outros dois fatores têm sido considerados como expressivos para os resultados: o treinamento socioemocional preparatório para a contratação e o acompanhamento após a contratação, oferecendo o suporte para as pessoas e para as empresas viverem o processo de adequação de forma qualificada.”

Por Fernando Alves, diretor executivo da ONG Rede Cidadã, responsável pela capacitação socioemocional dos moradores em situação de rua para o mercado de trabalho

 

 

 

Fonte: O Estado de São Paulo, 27 de Agosto de 2017.

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