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De conquista em conquista

Numa sociedade em que se discute o casamento homoafetivo e a transgeneridade no esporte, questões ligadas à mulher no trabalho estão superadas, certo? Errado. Dentre todos os aspectos da diversidade, a equidade de gênero talvez seja um dos mais recorrentes na agenda das empresas. O tema evoluiu, arregimenta um número cada vez maior de pessoas e apresenta conquistas expressivas até aqui. Mas basta olhar adiante para avistar a longa estrada ainda a ser percorrida.

“É quando nos damos conta de que é preciso impulsionar as mudanças e o tempo em que elas acontecem. Na ABRH, o tema ganhou tamanha importância, que começaram a ser realizados eventos específicos para debater o papel do feminino nas empresas e o seu diferencial no equilíbrio da gestão organizacional, entre outros aspectos”, comenta Elaine Saad, presidente da ABRH-Brasil.

A própria área de Recursos Humanos pode ser exemplo da necessidade de avançar nessa questão: embora seja majoritariamente composta por mulheres, os cargos de liderança, até pouco tempo atrás, eram maciçamente exercidos por homens. “Hoje encontramos várias mulheres como head de RH, mas, certamente, há espaço para muitas conquistas mais”, complementa Elaine.

Jorgete Leite Lemos, diretora de Diversidade da associação, considera o tema da liderança feminina, assim como outros de sua diretoria, um propulsor de oportunidade de trabalho, renda, educação e empoderamento, mas ressalva que existe uma necessidade vital de ampliar a visão sobre o assunto: “A liderança feminina precisa ser exercida por todas as mulheres, com todas as suas características, as mais diversas, e não somente por aquelas que têm mais facilidade de acesso ao topo por pertencerem a grupos menos rejeitados”, alerta.

Pioneirismo paulista

Dentre as 22 seccionais da ABRH, a de São Paulo foi a primeira a lançar, em 2016, um evento focado nas mulheres, o CONALIFE – Congresso Nacional de Liderança Feminina. Antes disso, em 2015, a associação aderiu ao movimento HeForShe da ONU Mulheres e assinou, também junto a ONU Mulheres, um memorando de entendimento para, entre outras ações, promover em conjunto o diálogo entre os vários grupos que discutem a equidade de gênero no país.

“A ABRH-SP já estava engajada de maneira estruturada nas causas relacionadas ao empoderamento das mulheres por meio de um grupo que discutia a liderança feminina nas empresas. Com o CONALIFE, demos mais um passo consistente, a fim de estimular o RH a debater e disseminar o tema dentro das empresas”, conta Theunis Marinho, presidente da entidade.

Com o congresso, a ABRH-SP tem mostrado a sua capacidade de envolver o RH e já apresenta cases de organizações que, motivadas pelo evento, aderiram à causa. “Nosso objetivo agora é engajar mais e mais pessoas, também os homens, para que possamos juntos, e de maneira concreta, construir um planeta 50-50, onde haja igualdade para todos”, frisa Marinho.

É com esse foco que o 3º CONALIFE vai acontecer no dia 24 de maio, no Hotel Unique, na capital paulista. O tema central é Liderança Feminina para um Mundo Colaborativo. “Cada vez mais o mundo fala de colaboração. A economia colaborativa movimentará mundialmente US$ 335 bilhões até 2025, segundo estimativas da PwC. Acreditamos que as mulheres trazem em si um conjunto de competências e habilidades que conversam de maneira muito próxima com esse novo cenário. Queremos elucidar o tema e promover um debate produtivo”, explica Maria Susana de Souza, vice-presidente de RH da RaiaDrogasil e coordenadora do Comitê de Conteúdo do evento.

Pelo Brasil

A iniciativa da ABRH-SP deu frutos em outros estados: em 2017, a ABRH-BA realizou o I Fórum de Liderança Feminina. “Nossa maior vitória na primeira edição foi tratar o tema de maneira ampla, sem entrar em uma discussão sexista, mas, sim, de liderança em suas amplas e diversas dimensões, dentre elas, o masculino e o feminino. Isso trouxe profundidade às discussões e uma diversificação do público, formado também por homens”, diz Cezar Almeida, presidente da ABRH-BA.

A contribuição do fórum, afirma ele, tem relação com o objetivo maior da ABRH: disseminar boas práticas de gestão de pessoas para que pessoas e organizações possam se inspirar e desenvolver as suas próprias práticas de excelência. Tanto é assim que, para a segunda edição, realizada ontem, em Salvador, foram convidadas Patrícia Nicieza, diretora de RH da Avianca Brasil, que quebrou paradigma ao ampliar substancialmente a quantidade de mulheres pilotos, e Camila Holpert, fundadora do Studio Ideas, abordando a relação do valor do feminino e do humano nas organizações e como isso impacta as marcas e os negócios.

“Acreditamos que um profissional deva ser avaliado por nada menos do que o potencial e o resultado que ele pode entregar. Sexo, etnia, idade, ou seja lá o atributo que for, não devem ser motivo para atrapalhar ou ajudar alguém em relação ao trabalho, mas, sim, algo secundário na maioria das funções. O que importa é que todos somos seres humanos. Seres humanos e só, simples assim”, encerra Almeida.

Amanhã, dia 9, será a vez de a ABRH-PB realizar o seu II Fórum de Liderança Feminina. No ano passado, a primeira edição debateu temas voltados para a saúde e os direitos da mulher. Os desafios em relação à diferença de remuneração entre homens e mulheres e o crescimento do número de mulheres ocupando vagas estratégicas em grandes empresas também foram abordados, com a participação intensa do público. “O sucesso da primeira edição nos levou a colocar o fórum na agenda permanente da ABRH-PB”, diz Ângela Medeiros, presidente da associação.

De acordo com ela, o evento contribui para o despertar da sociedade e dá suporte ao público, cumprindo a missão da ABRH de fomentar uma comunidade colaborativa, que conecte diferentes atores do cenário de relações do trabalho. A segunda edição, que acontecerá no Auditório do Sebrae, em João Pessoa, tem como tema Mulheres que Inspiram. Em formato de talk show, mediado pela jornalista Andreia Barros, o fórum contará, entre as convidadas, com Leyla Nascimento, primeira mulher a presidir a World Federation of People Management Associations, entidade mundial dos profissionais de RH, para falar de liderança globalizada.

Já a diretora de Diversidade da ABRH-Brasil vai levar ao Norte e Nordeste a palestra Mulher, o tempo é agora – Respeito, empoderamento e resultados, que faz parte do programa Valorização da Diversidade da ABRH-Brasil, patrocinado pela Bayer.

No próximo dia 22, Jorgete fará sua apresentação para a ABRH-PA, que vai receber o público no auditório Estação Saúde da Unimed Belém. “O evento proporcionará a discussão entre oportunidades e os desafios enfrentados por mulheres no mercado paraense. O grande momento será a troca de experiências de mulheres empoderadas, que atuam em diversas áreas e que, com seus exemplos, ideias e atitudes, inspiram gerações”, antecipa Maria Rosinete Franco Dias, presidente da entidade. No dia 19 de abril, será a vez de a ABRH-PE ser anfitriã da palestra, que vai acontecer no Mar Hotel Convention, no Recife.

“Com essas iniciativas, a ABRH busca incentivar uma mudança cultural orientada pela inclusão como estratégia inteligente para uma gestão de pessoas justa, ética, inovadora e lucrativa”, finaliza Elaine Saad.

Fonte: O Estado de São Paulo, 08 de Março de 2018.

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