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RH e tecnologia: ainda falta integração

É antiga a discussão sobre a necessidade de o RH se familiarizar e utilizar da forma mais otimizada possível as tecnologias disponíveis nos processos de gestão de pessoas. E, à medida que as ferramentas evoluem, o debate ganha novos contornos. Para entender melhor a quantas anda essa relação em plena 4ª Revolução Industrial, o Pessoas de ValoRH conversou com Cezar Tegon, que, em 1999, fundou a Elancers, empresa de Recrutamento e Seleção (R&S) 100% on-line, e, desde 2016, investe na startup Vagas Online, de recolocação profissional pela internet. Nesta entrevista, ele avalia como o RH tem interagido com as novas tecnologias e o que precisa ser feito para avançar.

Pessoas de ValoRH – Como você entende a relação do RH com as tecnologias?

Cezar Tegon – Há 10, 15 anos, existia uma grande distância entre o discurso do RH e a realidade. Falava-se em ser estratégico, criar disruptura de processos, inovar e começar a utilizar mais tecnologia, mas a prática era bem diferente: principalmente no Brasil, o RH ainda engatinhava em termos de tecnologia, porque, mergulhado em resolver as questões burocráticas, não conseguia olhar para outros processos que não fossem jurídicos. Hoje, o maior problema está em não adotar um sistema integrado para informatizar de verdade todas as suas atividades. O RH foca a atenção no tema da moda, hoje a Inteligência Artificial (IA), e usa várias soluções desconectadas para resolver problemas pontuais. Fala em usar robô no processo de R&S, mas ainda recebe currículos por correio e e-mail, e os processos de seleção são feitos sem um workflow inteligente, com registro das diversas etapas, histórico da participação dos candidatos, etc.

PV – Em 2009, o filme Amor sem Escalas trouxe uma discussão polêmica sobre o uso de tecnologia pelo RH para gerir pessoas em situações críticas como a demissão. Essa visão ficou ultrapassada?

CT – De lá para cá, a visão das empresas sobre a importância das pessoas mudou bastante até por uma exigência dos jovens que ingressaram no mercado e têm uma visão diferente sobre a combinação de trabalho, vida pessoal e qualidade de vida. Hoje, as organizações se preocupam mais com as pessoas e como elas enxergam a sua marca. Pegando o exemplo clássico da demissão, mesmo em períodos de crises, as empresas têm se mostrado preocupadas com as pessoas nesse momento traumático, o que é um avanço.

PV – Até que ponto a tecnologia substitui a sensibilidade humana na gestão de pessoas?

CT – Não substitui. A máquina faz atividades rotineiras melhor e de maneira mais rápida, mas o feeling será sempre humano. Fazendo um comparativo, em um carro de Fórmula 1, mesmo com tecnologia para troca de marcha no tempo certo, controle de tração, etc., o piloto continua sendo o diferencial, porque tem o feeling da condução, a sensibilidade de achar o momento certo para ousar ou de ser mais precavido em situações que fogem da rotina.

PV – A Vagas Online tem um robô que inscreve automaticamente os candidatos em oportunidades com o seu perfil. Como os “olhos” da máquina substituem a capacidade humana de escolher as vagas mais adequadas?

CT – O robô faz com mais velocidade e eficácia o que um candidato muito atento e bem organizado levaria horas para fazer: vasculhar as oportunidades de emprego que têm a ver com seu perfil e se inscrever em todas elas. Também monta o Data Analytics do candidato para comparar com os requisitos da vaga e com os outros candidatos. Além disso, através do telefone ou WhatsApp, ele pode receber dicas de especialistas para aumentar suas chances de conseguir emprego, o que é mais um exemplo de que há coisas que as máquinas não podem fazer por nós.

PV – Como tem sido a aceitação?

CT – Confesso que os candidatos ainda ficam desconfiados de um robô trabalhar por eles, mas os que tomam coragem e começam a usar ficam positivamente surpresos. Entre os profissionais de RH, no começo a aceitação foi complicada, porque eles temiam ter candidatos fora do perfil, o que depois viram não ocorrer. Na verdade, o robô garante que o RH use seu tempo para se dedicar à atividade mais nobre, que é a escolha do melhor candidato.

Fonte: O Estado de São Paulo, 22 de Março de 2018.

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