Equilíbrio entre o consultivo e o operacional: como o BP entrega na estratégia prática do negócio

Introdução

Vivemos a era da Inteligência Artificial (IA), onde as empresas usam dados para tomar decisões, otimizam recursos e ganham velocidade. Nesse contexto, o HR Business Partner (HRBP ou BP de RH) surge como apoio focal nesta estratégia, capaz de agregar valor ao negócio e aliar as estratégias de pessoas com os objetivos da empresa. Só que o BP constantemente precisa gerenciar o tempo e provar que é mais do que um executor de tarefas. Como afirma Ulrich (1997, p. 12), *“RH não é sobre RH. O RH começa e termina com o negócio”*¹, reforçando que o papel do BP deve estar sempre conectado ao impacto organizacional ou será engolido pela tecnologia e pela rotina.

O paradoxo do papel do BP

Nunca se valorizou tanto o papel do HRBP como agora, e com o excesso de informações, estímulos e a volta ao modelo de trabalho presencial/híbrido é muito fácil cair na armadilha do operacional. Relatórios, estudos salariais, controle de vagas, reuniões, alinhamentos, mediação de conflitos acabam tomando muito tempo e energia. Isso gera frustração e sobrecarga. É como aquela frase: “Pode falar rapidinho?”. Nunca é rapidinho!

Quando o comunicado simplesmente orienta: ‘Em caso de dúvidas, procure o seu BP’, cria-se o risco de que o papel seja percebido apenas como ponto de resolução operacional. Dias (2021, p. 12) reforça que ‘o desafio do BP é não se perder no operacional e, ao mesmo tempo, manter a proximidade com o negócio”

Ser BP não é realizar atividades pela liderança, resolver tarefas operacionais ou viver “apagando incêndios” – é entregar valor, crescimento e impacto utilizando dados e análises que apoiem decisões. É entender como o cenário atual influencia a estratégia do negócio, desde a entrada de novos colaboradores, desenvolvimento de pessoas, clima, planos de ação e até desligamentos, avaliando continuamente os impactos positivos ou negativos que tudo isso pode gerar internamente e externamente à Empresa.

O fato é que, o BP realmente se destaca quando consegue antecipar problemas, provocar reflexões, ser guardião da cultura, acelerar capacidades e navegar entre os paradoxos do dia a dia, traduzindo esses movimentos em ações que impulsionam resultados e fortalecem a tomada de decisão dos líderes.

Destacamos aqui, a importância em pensar em estratégias envolvendo pessoas através de dados, sobretudo na era da IA, onde a diferença entre o estratégico e o operacional se torna ainda mais evidente porque as atividades transacionais tendem a ser automatizadas, liberando espaço para uma atuação mais analítica e consultiva. Dentro da base metodológica citada por Ulrich, “As entregas do BP não devem só ser baseadas por volume, mas pela capacidade de ler cenários, influenciar discussões e gerar impacto real por meio de dados e contextos. 

IA e o futuro do HRBP

Com todos esses paradoxos, fala-se muito sobre a IA e como ela chegou para facilitar muitos aspectos, inclusive a vida organizacional. Estudos recentes mostram que a IA pode transformar a gestão de pessoas, desde o recrutamento até a retenção de talentos, reduzindo custos e aumentando a eficiência. Nascimento, Couto e Peres (2025, p. 33) afirmam que “a IA permite ao BP dedicar mais tempo ao papel consultivo, sem perder o controle das demandas operacionais”.

Se algoritmos já cuidam da triagem de currículos, do Onboarding e da análise de indicadores, antes realizada pelos denominados Especialistas de RH que também tem seu mérito como apoiadores de BPs e também de clientes internos – isto também se confirma na citação de Schilling (2025, p. 21), de que: “a IA não substitui o olhar humano, mas amplia a capacidade de análise e resposta tanto de BPs, como de demais protagonistas de RH, como os Especialistas de RH”.

Ulrich (2024) atualiza seu modelo, ao afirmar que: *“o HRBP deve entregar valor a múltiplos stakeholders, com foco em talento, organização e tecnologia”²*, ou seja, o BP que domina dados e ferramentas digitais “não ficará pra trás”, mas avançará para etapas mais avançadas em suas análises.

O BP de RH conecta o negócio à estratégia de RH focando às pessoas, também precisa dominar os subsistemas de RH, atuando em sinergia com áreas especialistas. A Inteligência Artificial surge para automatizar processos e liberar tempo para que o BP exerça seu papel consultivo e estratégico. 

Segue, alguns exemplos de boas práticas na utilização da IA integradas ao RH:

  • Processos Seletivos: a IA apoia recrutamento e seleção com triagem de currículos, já o BP precisa focar em decisões mais estratégicas e fit cultural
  • Onboarding: a automação agiliza documentos, lembretes e feedbacks, já o BP deve concentrar energia na retenção e experiência dos primeiros 90 dias.
  • Desenvolvimento de Pessoas: os algoritmos criam trilhas personalizadas de aprendizagem a partir de feedbacks e dados, já o BP deve analisar se elas aceleram as capacidades críticas.
  • Retenção: se ferramentas preditivas apontam quem pode sair, o BP precisa provocar líderes: o que estamos fazendo para que fiquem?

Conclusão

Em síntese, a IA transforma tarefas operativas em tempo para atuação estratégica, ampliando a capacidade do HRBP gerar valor e velocidade às suas entregas. O equilíbrio entre tecnologia e olhar humano é o que garante assertividade e impacto real no negócio.

O BP de RH que mede sua relevância pelo volume de tarefas, terá uma visão equivocada e distanciada de uma correta visibilidade sobre sua função e solidez de suas entregas. E, dependendo da situação, chegando a um esgotamento e exaustão. O RH que insiste em ser apenas “suporte”, será substituído pela automação. 

E, entendemos que o futuro do BP será medido pela capacidade de transformar dados em insights, influenciar líderes e traduzir a estratégia em ações que gerem valor tangível. Como reforça Ulrich (2024), “o HRBP precisa entregar resultados para múltiplos stakeholders, conectando talento, organização e tecnologia. Essa combinação é o que garante que o RH deixe de ser apenas suporte e se torne protagonista.

Notas de rodapé

  1. “HR is not about HR. HR begins and ends with the business” (ULRICH, 1997).
  2. “HRBP must deliver value to multiple stakeholders, focusing on talent, organization and technology” (ULRICH, 2024).

Referências (ABNT)

  • DIAS, R. Relato de experiência: transição de RH tradicional para Business Partner. 2021.
  • GALICIA EDUCAÇÃO. O papel estratégico do HRBP nas organizações. 2025.
  • NASCIMENTO, L.; COUTO, M.; PERES, J. Inteligência Artificial aplicada à gestão de pessoas. 2025.
  • PUCRS ONLINE. Inteligência Artificial e produtividade no RH. 2025.
  • SCHILLING, R. Impactos da IA na gestão de pessoas em PMEs brasile
  • SILVA, A. HR Business Partner: agregando valor às práticas corporativas. 2022.
  • ULRICH, D. Human Resource Champions: The Next Agenda for Adding Value and Delivering Results. Boston: Harvard Business School Press, 1997.
  • ULRICH, D. Update on HR Business Partner Model Continuing Evolution and Relevance. HR Curator, 2024.
  • Madanchian, M. From Recruitment to Retention: AI Tools for Human Resource Decision-Making. Appl. Sci. 2024, 14, 11750. https://doi.org/10.3390/app142411750

Artigo Coletivo 12/2025 – realizado pelos Participantes do Grupos de Estudos ABRH-SP no TEMA – BP de RH 

Participantes/ Autores – Adriana Ruffo Anspach 

                                         Ana Paula Maximiniano de Amorim   

                                        Fabricio dos Santos Senario 

Revisores-Facilitadores: Fátima Farias 

                                          Leandro Silva 

                                         Simone Simões    

São Paulo, 26 de janeiro de 2026