Assumir funções estratégicas é um desafio para muitos líderes, principalmente porque a maioria é promovida de áreas operacionais, eram ótimas no que faziam e nem sempre recebe preparo adequado para atuar estrategicamente. Segundo pesquisa Conquer, 66% dos líderes brasileiros afirmam que não conseguem se dedicar à estratégia porque estão presos a tarefas operacionais e 53% acreditam que os projetos não caminham sem sua presença constante. Isso gera insegurança, porque a maioria deixa um ambiente conhecido para enfrentar novos desafios que podem não estar claros ou assimilados.
Charan, Drotter e Noel (2001, 2011) estabeleceram seu princípio básico dizendo que a liderança exige coisas diferentes do líder dependendo do nível em que ele se encontra e que os líderes frequentemente fracassam em promoções porque continuam fazendo o que lhes trouxe sucesso em um nível de liderança inferior.
Nesse artigo, compartilhamos algumas estratégias para apoiar a liderança a investir seu tempo em que ele realmente deve ser alocado:
1. Olhar para si e para os significados que atribuem ao trabalho e a posição que ocupa
Nossos resultados são frutos de nossos comportamentos nas situações que vivemos. Nossos comportamentos são expressões do que pensamos adicionado a como estamos nos sentindo em que estamos vivendo algo e os sentimentos surgem a partir dos significados que damos a cada experiência vivida, objeto ou relação.
Quando o significado dado ao trabalho e a posição que esse líder ocupa seja o de uma conquista individual, fruto de seu único esforço e dedicação e o resultado de um trabalho feito por outras pessoas (no caso de sua equipe) não seja idêntico ao que ele teria feito, isso fará que ele se sinta em perigo, com medo de perder a sua conquista e com isso ele se comportará de forma controladora e ficará mergulhado no operacional.
É preciso fazer uma pausa e responder de forma genuína a pergunta: O que significa estar na função que estou e ter o time que tenho?
2. Cuidar das condições para que as pessoas da equipe realizem bem as suas atividades
Quando assumimos uma posição de liderança, nosso papel é garantir que as pessoas tenham as condições necessárias para serem bem-sucedidas na execução de suas responsabilidades. E quais são essas condições?
– Dar clareza do que deve ser feito (responsabilidade da função) e como deve ser feito (comportamentos, atitudes, ritmo de execução, prazos); – Apoiar o time a perceber a importância de sua contribuição para a organização (para o todo) e para os seus projetos individuais (para si); – Identificar e apoiar o time a desenvolver as habilidades necessárias para realizar suas tarefas;
– Ser um facilitador e oferecer os recursos necessários para que o time realize suas atividades;
– Acompanhar as rotinas da equipe, reconhecer as entregas e ajustar a rota sempre que necessário.
3. Promover a autonomia de forma sustentável
Promover autonomia pode parecer simples, mas é um dos maiores desafios da liderança — especialmente para quem está migrando de funções operacionais para sua primeira posição de gestão. Muitos líderes foram valorizados ao longo da carreira por sua capacidade de executar e entregar, e por isso podem sentir receio ao delegar tarefas ou transferir responsabilidades.
No entanto, a autonomia não é algo uniforme para toda a equipe e dificilmente será. Ela precisa ser construída de forma individualizada, considerando o nível de maturidade, conhecimento do contexto da organização, experiência anterior das pessoas na função. Delegar não significa apenas distribuir tarefas, mas calibrar o grau de orientação necessário para que cada pessoa se desenvolva com segurança.
Profissionais que estão iniciando numa determinada função/tarefa precisam de orientação próxima (o que, como, quando fazer), seguido de contexto (do porquê as coisas são feitas como são) e a partir daí estão aptos a elaborarem planos de melhoria e trazerem contribuições significativas para a organização. A partir desse momento, os profissionais começam a ficar aptos a ampliarem os seus horizontes e falar de próximos passos. E no próximo passo a pessoa inicia novamente o processo de criação de apropriação e autonomia na nova função novamente.
Esse processo progressivo e contínuo fortalece a confiança, acelera o aprendizado e permite que cada membro avance no seu próprio ritmo. Assim, sua equipe se sente reconhecida pela oportunidade de desenvolvimento e convida constantemente a atenção do gestor a dar movimento a este processo.
4 – Invista em IA
A Inteligência Artificial está disponível para apoiar e otimizar processos rotineiros e burocráticos, como análise de dados, geração de relatórios e automação de tarefas administrativas.
Segundo Peter F. Drucker (O Executivo Eficaz – 2004), executivos eficazes sabem que o tempo é um fator limitante, considerando que o tempo é sempre escaço a decisão de alocá-lo da melhor em atividades estratégicas na organização, se faz extremamente necessária.
Considerando as amplas possibilidades oferecidas pela era da IA, esse recurso torna-se especialmente relevante para otimizar o uso do tempo e direcioná-lo a atividades estratégicas.
Diante das amplas possibilidades oferecidas pela era da IA, esse recurso torna-se especialmente relevante para otimizar o uso do tempo e direcioná-lo a atividades estratégicas.
Para concluir, fazer a transição do operacional para o estratégico, exige dedicação e planejamentos conscientes. Um olhar para si mesmo, aumento da autoconsciência dos significados em relação ao seu papel na função e com as pessoas sob sua responsabilidade. Entender autonomia como uma missão para cada um e usar as ferramentas de IA para otimizar a sua agenda.
É uma jornada, onde o plano definido, precisa ser revisitado e muitas vezes ajustados, durante o processo, mas somente quando o líder consegue deixar o operacional e passa atuar de forma estratégia, ele(a) realmente conseguirá planejar a longo prazo, desenvolver as equipes e trazer impacto para a organização e para seus stakeholders.

São Paulo, 19 de janeiro de 2026