As organizações do século 21 têm o desafio de sobreviver em um mundo complexo, incerto e sujeito a mudanças rápidas. As pessoas dentro delas têm acesso a grande quantidade de informação e precisam estar preparadas para atuar com autonomia e colaboração.

Neste cenário não se pode conceber uma liderança agindo como se estivesse no século 20 ou em séculos anteriores. A liderança no século 21 precisa estar alinhada com as solicitações da economia 4.0 em que estruturas rígidas e morosas são cada vez menos aceitas.

A maioria das grandes empresas brasileiras já adota métodos ágeis de gestão, nos quais squads (esquadrões ou equipes) são criados e desfeitos em função das necessidades dos projetos do momento. Uma característica fundamental dos squads é a ausência de estrutura hierárquica.

Na Morning Star, uma empresa da Califórnia, as 400 pessoas que nela trabalham organizam-se em grupos de trabalho similares aos squads, cuja interação é mediada por uma carta de intenções firmada no início de cada ano na qual estão especificadas as condutas esperadas de todos os seus membros.

A ação das pessoas que trabalham na empresa está baseada em dois princípios: ninguém exercerá força sobre o outro e todos se comprometem a cumprir rigorosamente aquilo que foi acordado. Dessa forma, ela se tornou a maior processadora de tomate do mundo com produção equivalente a 40% de todo o consumo norte-americano; fatura 1 bilhão de dólares por ano; existe há 20 anos; e nunca teve estrutura hierárquica nem chefes.

Estes são exemplos de liderança compartilhada, que deverá prevalecer daqui por diante nas organizações 4.0 e vindouras. O século 21 exigirá organizações saudáveis e amadurecidas nas quais as pessoas possam desenvolver todo o seu potencial pessoal e profissional e não se sintam dominadas por estruturas subjugantes. O poder não deverá ser exercido para dominar pessoas, mas para liberá-las a fazer coisas que seu potencial permitir. Assim agindo, as organizações conseguirão se adaptar ao século 21.

Artigo escrito por Haino Burmester (integrante), Meiling Canizares e Luiz Carlos Lima (facilitadores) do Grupo de Estudos de Educação Corporativa 4.0 (2019), de São Paulo

Fonte: O Estado de São Paulo, 08 de Março de 2020.