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Gestão Estratégica de Saúde: Papel na gestão dos custos indiretos

Com o aumento da competitividade no mercado e a crescente necessidade de utilizar bem os recursos disponíveis, as empresas têm se preocupado em entender melhor os riscos e custos que podem comprometer o bom andamento de seus negócios. Somam-se a este cenário, um forte viés sócio ambiental e uma grande necessidade de engajamento e retenção de talentos.

Dentro deste contexto, aumenta o desafio dos profissionais de Recursos Humanos (RH) que precisam ser capazes de gerir o capital humano de maneira eficiente, além de gerir adequadamente custos e riscos. De acordo com Joshua S. Friedlander, Diretor de RH da Marsh USA, um gestor de Recursos Humanos de sucesso precisa ser um gestor de riscos de sucesso. Para encarar este desafio, Joshua sugere algumas questões para reflexão. Por exemplo, existe uma abordagem formal para gerenciamento de riscos de RH em minha empresa? Existem ferramentas? Há métrica para calcular o retorno sobre o investimento nas decisões de RH? Como integrar o risco à tomada de decisões corporativas?

A saúde, um dos mais complexos desafios dentro da gestão do capital humano, exige indicadores financeiros claros. No ranking dos custos empresariais, o custo direto com a saúde representa, na maioria das empresas, o segundo maior gasto, atrás apenas da folha de pagamento. Os custos per capita com as operadoras aumentaram, em média, 120% no período de 2001 a 2009, segundo a ANS, frente a uma inflação econômica de 66,5% no mesmo período (IPCA). Estes dados sugerem, que a despeito de todos os esforços que temos realizado para gestão dos custos diretos, não fomos capazes de reduzir ou estabilizar o aumento destes gastos.

Como agravante, existem ainda os custos indiretos com a saúde dos colaboradores, que muitas vezes não são contabilizados. Estes gastos incluem custos com perda de produtividade, absenteísmo, substituição do funcionário afastado/ perdido, alteração da alíquota do Seguro Acidente de Trabalho (SAT) e impacto do Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Além destes, existem custos indiretos advindos da elegibilidade do plano, modelo de financiamento, conhecimento e contabilização de passivos atuariais, demandas judiciais e conseqüentes riscos de imagem, que são desconhecidos para a maioria das empresas e constituem gastos indiretos com o benefício saúde. Conhecer e mensurar os riscos e custos indiretos, identificando alternativas para atenuá-los ou eliminá-los podem ser uma importante fonte de economia nos custos com saúde e, portanto, um importante diferencial competitivo para a empresa.

Dados de um estudo feito pelo Bank One, publicados pela Harvard Business Review em 2004, demonstraram que os custos indiretos com presenteísmo representaram 64% dos custos totais com a saúde, enquanto que os gastos médicos e farmacêuticos corresponderam a 24%.

No Brasil, estudos realizados pela Marsh, demonstram que os custos indiretos podem, também aqui, ser bem maiores do que os custos diretos. Em uma empresa da área industrial, os custos indiretos com afastamento/ absenteísmo, perda de produtividade, custos com processos contra a empresa e provisionamentos, foi de R$ 15,3 milhões ao ano, enquanto que os gastos com a operadora foram de R$ 14,5 milhões. Em outro exemplo, os custos diretos com a assistência médica foram de R$ 10 milhões ao ano, enquanto que os indiretos foram de R$ 53,2 milhões ao ano, e incluíam reserva de IBNR e oscilação de riscos, além do reconhecimento de passivo atuarial. Não foram computados ainda neste valor, os custos relativos aos riscos trabalhistas, em razão da política de elegibilidade adotada.

Em pesquisa realizada anualmente pela Marsh, os custos indiretos gerados pelo SAT em 2010 aumentaram em até 40%, em média, após o FAP. Para se ter uma idéia, uma empresa do setor químico que gasta cerca de R$ 25 milhões ao ano com plano de saúde, teve a alíquota do SAT agravada, saindo de R$ 2,5 milhões ao ano para R$ 6,8 milhões, ajudando a aumentar a conta dos custos indiretos.

Outra questão que chama a atenção é que, de acordo com a mesma pesquisa no ano de 2008, envolvendo 111 empresas e quase 150.000 colaboradores, houve melhora da experiência em termos de acidentes de trabalho em relação ao ano anterior. Com este dado poderíamos esperar redução do FAP, o que não ocorreu. Isto reforça a necessidade de cuidados especiais com as doenças ocupacionais, que além de poderem agravar o FAP, ainda são responsáveis por índices seis vezes maiores de absenteísmo comparado aos acidentes de trabalho, engrossando mais ainda a conta dos custos indiretos.

Os custos indiretos originados na saúde são de difícil apuração e podem deixar de ser relacionados à sua origem por estarem em diferentes áreas da companhia. Por exemplo, os custos de processos contra a empresa estão dentro da área jurídica, e nem sempre são facilmente relacionados à sua fonte primária.

Frente à complexidade do assunto, e a oportunidade de verificar custos não conhecidos que “nascem” na saúde, há a necessidade de ferramentas que auxiliem a empresa no entendimento do custo total envolvido, possibilitando uma gestão profissional e eficiente da saúde nas empresas. 

 

Ana Cláudia de Assis Rocha Pinto

 

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