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8 DE MARÇO – Conquistas e desafios das mulheres no mundo corporativo

O discurso da atriz Patricia Arquette no Oscar 2015, ao ganhar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, lembrou a sociedade de que, em muitos setores, as mulheres ainda têm remuneração inferior à dos homens. Por que, apesar de todos os esforços, isso ainda acontece? E o que precisa ser feito nas organizações para mudar esse cenário? O jornal Gestão de Pessoas convidou as quatro diretoras da ABRH-SP para refletirem sobre essas questões neste Dia Internacional da Mulher: 

“Concordo que o quadro tem mudado, não na velocidade desejada, e detesto saber que homens ainda ganham mais que mulheres em determinados setores. Realmente, é lamentável… Enxergo os homens como melhores ´negociadores salariais´ e as mulheres ´mais apaixonadas pelo que fazem´ (isso tanto na contratação quanto durante a trajetória profissional), o que pode ser uma variável para apoiar a diferença salarial. Entretanto, trabalho com Recursos Humanos há mais de 25 anos, em empresas de grande porte com políticas de RH estruturadas, e nenhuma dessas empresas diferenciava salários entre gênero, mas, sim, entre cargos (papéis e responsabilidades). Também vejo as mulheres ocupando posições diferentes que os homens. Elas são mais confiantes em fazer suas escolhas considerando os diferentes papéis que exercem na sociedade e talvez não priorizem posições comumente ocupadas por eles, como as chamadas posições executivas. Quando optam por essas posições, no entanto, se destacam, o que pode ser observado na situação de muitas que têm os maridos gerindo as questões familiares e domésticas, enquanto elas trabalham arduamente para garantir a estabilidade financeira familiar.” Edna Bedani 

“O desafio da mulher no mercado de hoje é conciliar o sucesso profissional com o êxito pessoal, em plena harmonia. Como mulher que se qualifica para gerenciar oportunidades e gestar soluções, como também a que consegue tudo isso em complementaridade e não na lógica puramente competitiva do mercado. Isso porque a feminilidade é o que faz a diferença nesse campo. O mercado foi muito marcado pela competitividade, muitas vezes, agressiva, no afã da produtividade. Requer, portanto, ajustes no sentido de fazer com que haja não apenas produtividade com cada vez mais qualidade, mas otimização de potencialidades humanas, integrando capacidades para um sentido mais familiar de relacionamentos, em que produção e qualidade de vida caminhem juntos, de modo integrado. Não se trata de ocupar postos e ter privilégios sociais por uma questão de gênero apenas, isto é, por ser homem ou mulher, mas por mérito pessoal. O mercado, portanto, tem muito a ganhar com a contribuição da mulher, no desafio de humanizá-lo, para gerar oportunidades de ganhos para todos. A mulher hoje é protagonista desse processo, mas não para impor outra lógica de dominação, mas justamente para equilibrar as possibilidades existentes, numa proposta de serviço, para o bem de todos.” Edna Goldoni 

“Tanto a equiparação salarial quanto o número de mulheres em posição de liderança nas organizações vêm evoluindo gradativamente e, portanto, acredito que temos uma perspectiva positiva nos dois aspectos. As empresas e a sociedade estão atentas e, sobretudo, tomando medidas concretas para que isso aconteça, porém é fundamental que haja também uma mobilização das próprias mulheres, colocando o tema no debate do dia a dia, reivindicando seus direitos e procurando entender as situações que são desfavoráveis a elas. Acredito que uma política de diversidade, que tenha tanto objetivos concretos como ações afirmativas, é fundamental para que o cenário mude mais rapidamente, mas não apenas em relação às mulheres, também em relação aos outros aspectos que envolvem o tema, especialmente a diversidade das ideias. Além disso, ter o assunto no centro do debate da liderança é uma maneira de não deixá-lo esquecido entre tantas outras prioridades que temos no nosso dia a dia, ou seja, que a liderança da empresa possa acompanhar a evolução dos indicadores e possa debater as razões pelas quais as mulheres ainda se encontram em situação desfavorável, quando for o caso.” Lilian Guimarães 

“Esse quadro já vem mudando há tempos. Eu realmente acredito que é um processo e que estamos conquistando, sim, nosso espaço. Talvez menos rápido do que gostaríamos, mas com muita consistência. Prefiro enxergar o quanto temos avançado. Outro ponto importante a ser analisado: será que o número de mulheres que realmente quer ocupar posições de liderança das empresas e na sociedade é tão grande assim? Formação, disponibilidade de tempo, ter essa vontade como um valor, estar disposta a sacrifícios… Nesse ponto, acho saudável refletirmos sobre todos os papéis que ocupamos ao mesmo tempo. Vem sendo uma batalha constante equilibrarmos todos os nossos afazeres com vida profissional e pessoal. E o preço cobrado não é baixo… As empresas podem contribuir abrindo mais espaço para os horários flexíveis e home offices por exemplo, mas cargos de grande responsabilidade exigem demais das pessoas, sejam homens ou mulheres. Acho lamentável salários diferentes em posições equivalentes se isso for devido ser mulher ou homem, mas em termos de quantidade isso ainda é muito mais uma responsabilidade compartilhada entre empresas, sociedade, homens e as próprias mulheres.” Luciana Carvas

 

Página Semanal ABRH-SP – 08 de março

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