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ABRH-SP lança série de encontros Embaixadores do RH

Com o objetivo de criar um fórum exclusivo de debates entre CEOs e RHs sobre temas de alta relevância para a gestão de pessoas nas organizações, bem como propor ações que contribuam para o desenvolvimento do país, a ABRH-SP realizou em 1º de agosto, na sede da Serasa Experian, em São Paulo, o primeiro encontro dos Embaixadores do RH.

Participaram do evento os anfitriões Theunis Marinho, presidente da ABRH-SP, José Luiz Rossi, CEO da Serasa Experian, e Guilherme Cavalieri, vice-presidente Desenvolvimento Humano e Sustentabilidade da Serasa Experian Brasil e Experian América Latina, e presidente eleito da ABRH-SP (veja matéria abaixo); e os convidados: José Augusto Figueiredo, CEO da Lee Hecht Harrison Brasil; José Loureiro, CEO da Laureate Brasil; Leyla Nascimento, presidente da WFPMA, Federação Mundial das Associações de Recursos Humanos; Marcelo Munerato de Almeida, CEO da Aon Brasil; Raphael de Carvalho, presidente da MetLife; Adriana Zanni, diretora de RH da Aon Brasil; Lia Azevedo, vice-presidente de Desenvolvimento Humano e Organizacional do Grupo Boticário; Ricardo Salvador Lopes, diretor de Benefícios da ProPay; Simone Feu, diretora Comercial da Amil; e Osmar Stefanini, vice-presidente de RH da Laureate Brasil. Jorge Maluf, senior partner da Korn Ferry, foi o palestrante convidado.

“O Embaixadores do RH terá três encontros anuais, que irão reunir CEOs e executivos da área. O próximo já tem data marcada: 8 de novembro”, disse Theunis na abertura, depois de lançar mão de uma metáfora para explicar a evolução dos profissionais de Recursos Humanos nas organizações: da posição, às vezes, de gandula no passado, para a realidade na atualidade de ser um dos “11 jogadores” titulares, vestindo a camisa 5, como meio-campista, ao lado do capitão, que é o CEO.

Anfitrião da reunião, José Luiz Rossi falou da janela privilegiada que a Serasa Experian propicia para enxergar a economia brasileira. Segundo ele, desde 2014 não há um crescimento da atividade do comércio nas datas festivas e os níveis de inadimplência e insolvência continuam muito elevados. De acordo com dados de junho deste ano, há 62 milhões de pessoas com CPFs negativados e 5,5 milhões de empresas inadimplentes. “Isso mostra a fragilidade da nossa economia hoje.”

Rossi explicou que, após ter dobrado de tamanho, passando de 26% em dezembro de 2004 para 54% em dezembro de 2015, o mercado de crédito caiu com a crise e entrou em estagnação. “Uma forma de fomentar o crédito, e a Serasa Experian tem trabalhado para isso, é aprovar o cadastro positivo, que tem o potencial de incluir financeiramente 22 milhões de pessoas e diminuir a inadimplência em 45%.”

Simone Feu deu um testemunho sobre a importância da análise de cadastro. “No ano passado, a Amil gastou com fraude de compra indevida R$ 78 milhões.” Com o uso de um sistema de análise prévia da compra da Serasa, obviamente a quantidade de vendas caiu muito, mas a qualidade da venda melhorou, assim como o resultado do sinistro. “Tivemos uma redução de 32% de compra indevida.”

Em seguida, Jorge Maluf falou sobre o tema da sua palestra: Digitalização Humanizada. Uma das questões levantadas por ele foi o papel do ser humano no futuro do trabalho. “Segundo um estudo bastante completo feito pela Korn Ferry, teremos, em 2030, uma lacuna de cerca de 85 milhões de pessoas no mercado americano e de 16 milhões no Brasil em relação à demanda e à oferta. O grande problema é que as pessoas que estão hoje no mercado de trabalho não serão as necessárias para ocupar essas posições.”

Para Maluf, o desafio do futuro é atacar dois problemas opostos decorrentes da digitalização: como cobrir a lacuna de talentos e como absorver as pessoas deslocadas pela tecnologia, ambos com impacto econômico e social relevantes. O governo e as empresas, segundo ele, têm um papel importante para cuidar do destino das pessoas deslocadas pela tecnologia. “São basicamente quatro caminhos: reciclagem para novas demandas; deslocamento desse pessoal para ocupar posições equivalentes em setores ainda em crescimento; empreendedorismo; e sustentá-los por uma rede de assistência. Não atuar proativamente terá custo elevado para as empresas e a economia.”

A boa notícia é que já há várias empresas preocupadas com esse tema, embora sejam ainda tentativas isoladas, como a requalificação técnica da força de trabalho; preparação dos trabalhadores para explorarem outra fonte de renda; ações sociais voltadas à educação e geração de renda; apoio ao desenvolvimento das competências requeridas; educação financeira; e patrocínio de pesquisas e estudos sobre o tema.

Debate

Leyla Nascimento introduziu no encontro uma pauta mundial: a questão da longevidade. “Estudos mostram que uma pessoa de 40 anos daqui a alguns anos será considerada um adolescente nas empresas e a pergunta é: o que faremos com esses profissionais?”

Já Osmar Stefanini elogiou a iniciativa da ABRH-SP de promover esse tipo de debate e geração de ideias. “Temos de ter uma preocupação em relação a como vamos lidar com o novo perfil de profissional que deseja ter seu estilo próprio e levar esse estilo para o trabalho, que quer ter propósito e está engajado em uma digitalidade. Como gerenciamos e trabalhamos para que eles sejam precursores de um país melhor? Temos de estimular o debate para catalisar a energia dessas pessoas, porque elas são aderentes se nós tivermos um bom propósito.”

Na sua reflexão, José Loureiro falou que é preciso quebrar o modelo de educação para transformá-lo em um modelo de entrega de conhecimento, de quanto é preciso ter de conhecimento para trabalhar em determinada empresa. “Isso passa por mobilizar o regulador em Brasília e também modificar a expectativa das famílias, que ainda querem que o filho traga um diploma para casa. Precisamos mudar essa cultura.”

Ao parabenizar a iniciativa da ABRH-SP, Marcelo Munerato falou de esperança e disse nunca ter visto a comunidade empresarial tão mobilizada como agora para discutir como ajudar. “Existe um movimento bastante forte que nunca presenciei.” Ele deu como exemplo o projeto social da Aon, Jovem Seguro, que já formou mais de 300 jovens captados de comunidades carentes. “Esses garotos são uma esperança. São jovens que têm vontade de entrar no mercado de trabalho.”

Guilherme Cavalieri disse que um dos focos da nova gestão da ABRH-SP, que se inicia no ano que vem, é dar prosseguimento a esse debate do futuro do trabalho. “O Theunis plantou várias sementes como essa, que daremos continuidade.” Diretora eleita da próxima gestão da ABRH-SP, Lia Azevedo reiterou a importância do tema e disse que a Associação deve ser protagonista no assunto: “Uma das angústias é sobre essa agenda Brasil na questão da transformação digital. Como podemos fazer a diferença como líderes empresariais?”

José Augusto Figueiredo lembrou que um tempo atrás dava entrevistas diariamente para a imprensa sobre o tema apagão de talentos. “As empresas tratavam o tema como um diferencial competitivo. Cada uma tinha a sua receita de como fazer a retenção de seus talentos. Agora, vamos para outro momento do país, em que o approach está sendo diferente, em busca de uma solução colaborativa.”

Ricardo Salvador Lopes propôs também o tema da cultura organizacional para discussão. “Precisamos estar no momento dos acontecimentos. A década de 2000 para cá é a década da ética, da moral. Somos hoje um país sem uma faceta cultural e isso nasce dentro das empresas. É interessante falar do digital, mas muito mais interessante é falar do ser humano, daquilo que ele acredita, do propósito.”

Theunis Marinho concluiu o encontro lembrando de algo que une o grupo: “Além da experiência profissional e do sucesso na carreira, somos brasileiros patriotas e estamos em uma idade em que temos de deixar legados. O que precisamos agora é devolver, não pedir. Ajudar o Brasil com desprendimento e inteligência”.

Fonte: O Estado de São Paulo, 12 de Agosto de 2018.

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