O endividamento do brasileiro não mais se restringe à vida privada. A desorganização financeira doméstica alcança o ambiente do trabalho e se manifesta em ansiedade, comprometimento do bem-estar e também em perda de produtividade. Com consequências mensuráveis nos resultados dos negócios, o assunto tem se posicionado no centro das preocupações das empresas e ganha força com a atualização da NR-1, que determina às organizações o gerenciamento de riscos psicossociais com grande impacto na saúde mental dos profissionais.
As fontes que levam ao descontrole no orçamento doméstico não se limitam a compras por impulso. Hoje, nas empresas, há diversos temas sensíveis de atenção, como crédito consignado e apostas em plataformas de jogos on-line, que podem levar ao endividamento, trazendo um impacto silencioso que afeta todo o clima organizacional. Neste contexto, o ambiente do trabalho torna-se propício a conflitos entre colegas, desmotivação e aumento da rotatividade por demissões.
De acordo com Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, os riscos do endividamento, associados à queda de produtividade, também vêm chamando a atenção da área de Recursos Humanos. “Mais que nunca, é preciso que as empresas se empenhem em cuidar das pessoas. E o RH tem um papel estratégico diante da vulnerabilidade emocional que o desarranjo financeiro provoca”, afirma.
No gerenciamento de riscos psicossociais proposto pela NR-1, Lia Aere considera que o endividamento é um tema que se reflete na qualidade de vida e no bem-estar dos profissionais.
De acordo com a presidente da ABRH-SP, a NR-1 mostra aos gestores a relevância da questão financeira como estratégia de cuidado de saúde. “Um aspecto bastante sentido pelas empresas é o turnover, uma vez que funcionários endividados tendem a pedir acordos para sanar dívidas com o valor da demissão”, diz.
Entre as ações sugeridas por Lia Aere, acompanhamento psicológico aos profissionais e programa de educação financeira surtem efeito de cuidado e atenção no momento em que a pessoa vivencia extrema vulnerabilidade em sua vida profissional e pessoal.
“Essa atenção também constitui um enorme diferencial competitivo para a empresa”, destaca. “O mercado enxerga e valoriza a organização preocupada em reter talentos e aumentar a produtividade com uma atuação humana e voltada ao bem-estar”, conclui.
Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP (22, junho de 2026)