Desde que foi instituído como o mês de conscientização sobre o câncer de mama, o Outubro Rosa responde por um engajamento cada vez mais efetivo da sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de uma doença estimada em 78.610 novos casos no Brasil a cada ano do triênio 2026-2028, segundo projeções do INCA (Instituto Nacional de Câncer). Nas empresas, os tratamentos, o retorno ao trabalho e as adaptações para que a profissional possa continuar desempenhando suas funções têm exigido reflexões e ações por parte da área de Recursos Humanos. “Neste contexto, a campanha Outubro Rosa sinaliza a necessidade de mudanças que se revertam em atitudes mais acolhedoras por parte das organizações”, afirma Roberta Nunes Barbosa, gerente executiva da ABRH-SP.
O câncer de mama tem impacto significativo nas trajetórias profissionais. “Quem retoma o trabalho após um tratamento necessita que o RH tenha um olhar humanizado sobre a situação. E isso envolve atenção psicológica, valorização da autoestima da colaboradora e compreensão sobre a profissional que naquele momento passa por muitas dificuldades, inclusive materiais, por estar dispondo de dinheiro e outros recursos para se tratar”, observa Roberta Barbosa.
Na visão do mastologista Fábio Bagnoli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo (SBM-SP), o acolhimento da mulher em tratamento de câncer de mama no ambiente profissional deve partir de um princípio fundamental: o diagnóstico não significa, necessariamente, incapacidade para o trabalho. O especialista reforça que muitas pacientes podem manter suas atividades laborais durante diferentes etapas do tratamento, desde que suas condições clínicas sejam respeitadas e que exista abertura para adaptações temporárias quando necessárias.
“O tratamento do câncer de mama é cada vez mais individualizado e isso também precisa ser compreendido no ambiente de trabalho. Duas mulheres com o mesmo diagnóstico podem ter tratamentos e necessidades completamente diferentes. A empresa não deve partir do pressuposto de que aquela profissional não poderá trabalhar, mas estar aberta para entender, junto com ela e respeitando as orientações médicas, quais cuidados serão necessários naquele momento”, explica Bagnoli.
Fadiga e necessidade de pausas podem aparecer durante a quimioterapia, radioterapia e também permanecer por algum período após determinadas etapas do tratamento. Neste ponto, a gerente executiva da ABRH-SP considera a necessidade de iniciativas que flexibilizem a execução de tarefas. “Estamos diante de uma questão fundamental, que cabe perfeitamente nas modalidades de trabalho aceitas e aprimoradas na atualidade”, diz. Para Roberta Barbosa, o trabalho realizado em home office, por exemplo, é de grande importância para quem está em tratamento ou retomando gradativamente suas atividades presenciais na empresa.
O presidente da SBM-SP destaca que durante a quimioterapia, dependendo do tratamento e da fase do ciclo, podem ocorrer alterações na imunidade, náuseas, indisposição e mudanças no apetite. “Em determinadas situações, pode ser necessário reduzir a exposição a ambientes com grande circulação de pessoas, além de facilitar o acesso à alimentação, hidratação e períodos de descanso, sempre de acordo com a orientação da equipe médica”, pontua. Entre pacientes submetidas à radioterapia, o mastologista também recomenda cuidados. O tratamento, ressalta, pode causar fadiga e alterações na pele da região tratada, e a depender da função exercida pela profissional, “atividades que provoquem atrito, calor excessivo ou desconforto podem demandar ajustes temporários”.
Cirurgias na mama e na região axilar podem provocar dor, desconforto e redução temporária da mobilidade. O mastologista da SBM observa nas atividades que envolvam esforço físico ou movimentos repetitivos necessidade de adaptação durante a recuperação, “o que não significa, porém, estabelecer limitações permanentes ou impedir indiscriminadamente o uso do braço”.
O acompanhamento do câncer de mama envolve uma rotina que pode incluir consultas, exames, fisioterapia e sessões de tratamento. Para Roberta Barbosa, a possibilidade de flexibilizar horários é uma das formas mais objetivas de a empresa contribuir para a continuidade do cuidado.
“Quando uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama, inicia-se uma jornada que pode durar meses e que não acontece isolada do restante da vida. Ela continua sendo profissional, mãe, companheira, amiga e exercendo diferentes papéis. Uma empresa verdadeiramente acolhedora é aquela que entende esse processo e consegue oferecer suporte sem retirar dessa mulher sua autonomia”, afirma Fábio Bagnoli.
Segundo a representante da ABRH-SP, a mulher que se recupera de um câncer de mama não deseja ser apartada do trabalho. “Na volta à rotina das organizações, a profissional, mais que nunca, quer continuar desempenhando bem o seu papel. Por isso, é importante que ela seja respeitada e acolhida”, diz. “O olhar sensível do RH é fundamental nos processos de recuperação e cura”, finaliza Roberta Nunes Barbosa.
Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP (05, outubro de 2026)