Eficiência e humanização na área de Recursos Humanos traz a IA para o centro do debate

A discussão sobre inteligência artificial em Recursos Humanos não deve ser tratada como uma escolha entre eficiência e humanização. A partir desta visão, Fred Lacerda, diretor de Tech da ABRH-SP, destaca que como ferramenta a IA torna o RH mais eficiente. “Mas a eficiência não pode significar distanciamento, padronização excessiva ou evidenciar algum nível de perda de sensibilidade humana”, afirma.

No ponto central entre eficiência e humanização, envolvendo inteligência artificial, Lacerda convida a refletir sobre uma questão importante: “para que e para quem queremos eficiência e com quais limites?”

De acordo com o diretor de TECH da ABRH-SP, a inteligência artificial tem potencial enorme para liberar o Recursos Humanos de tarefas operacionais, trabalhos repetitivos e pouco estratégicos. E destaca exemplos em que a IA gera eficiência. “Em recrutamento, a IA pode ser utilizada na triagem inicial, para organizar informações, identificar aderência a requisitos.” Em People Analytics, o uso da IA, segundo Lacerda, pode apoiar na leitura de grande volume de dados, na identificação de padrões de engajamento, riscos de turnover, diferenças entre grupos, “sinais que às vezes nós, como seres humanos, não conseguiríamos ter em análises mais tradicionais”.

Por outro lado, ressalta Lacerda, existe sempre o risco real de a IA ser usada para substituir o julgamento humano. “No recrutamento, podemos ter a IA reforçando vieses históricos ou fazendo a avaliação de candidatos sem considerar contexto, mas apenas estruturas automatizadas do script preparado para a inteligência artificial.” Em People Analytics, ele avalia o risco, por exemplo, de transformar pessoas em indicadores, sem compreender de fato as histórias que existem por trás dos dados. “Estes são dois exemplos de como a IA pode ser usada da forma errada”, pontua.

Para Fred Lacerda, a IA no RH não precisa necessariamente navegar entre dois extremos. “Podemos ter ao mesmo tempo eficiência e humanização, desde que façamos o desenho de uma estratégia de uso baseada em três princípios.”

O primeiro princípio envolve clareza no uso da IA. “E aqui cabe um questionamento: a ferramenta está sendo usada com propósito, resolvendo problemas relevantes e não apenas pela disponibilidade da tecnologia?”

Como segundo princípio, Lacerda destaca a responsabilidade. “Decisões sensíveis sobre pessoas precisam ter supervisão humana com critérios claros e possibilidade de contestação.”

O terceiro princípio referenda a ética no uso de dados. “As pessoas, que são donas dos dados e objetos de análise, precisam saber quais informações são coletadas e para que são usadas. A organização deve estar atenta a limites e se comprometer a respeitar o uso de dados e IA.”

Como conclusão, Fred Lacerda aponta que o melhor uso da IA será sempre o que amplia a capacidade que o RH tem de ouvir, de agir mais rápido e de tomar decisões mais justas, “sem abrir mão da empatia, do contexto e da responsabilidade humana”.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP (15, junho de 2026)