Longevidade da população demanda inclusão no mercado de trabalho

No Brasil, quase 55 milhões de pessoas tem mais de 50 anos. Até 2043, o IBGE estima que um quarto da população terá mais de 60 anos, em contraste com um número de jovens proporcionalmente menor. “Mas à medida que essa população cresce, o espaço para o etarismo ainda predomina no mercado de trabalho e empurra talentos experientes para a invisibilidade, privando empresas e sociedade de uma fonte valiosa de conhecimento e inovação”, observa Juliana Ramalho, moderadora do grupo sobre Arquitetura de Talentos e Open Talent da ABRH-SP e CEO e fundadora da Talento Sênior.

Especialmente em tempos de inovações tecnológicas e incorporação da inteligência artificial, Juliana destaca que modernizar uma organização não significa criar departamentos exclusivos para jovens desenvolvedores. “Ter ‘mãos que programam’ sem ter ‘mentes que estrategiam’ é um erro caro”, afirma.

Para a representante da ABRH-SP, a verdadeira modernidade não está apenas na ferramenta, mas na arquitetura do pensamento. “Sem a visão de quem conhece as engrenagens do negócio e as nuances do mercado, a tecnologia torna-se apenas um custo adicional, e não uma vantagem competitiva.”

A integração de saberes, segundo Juliana, é o caminho para destravar esse impasse. Neste sentido, a diversidade geracional revela-se um propulsor de criatividade. Equipes formadas por diferentes faixas etárias promovem um ambiente mais colaborativo e empático, “essencial para o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores”.

Para a executiva, o futuro depende da inclusão. “Se o mercado não se adaptar ao envelhecimento populacional, certamente enfrentará uma escassez crítica de talentos, especialmente em setores que demandam conhecimentos técnicos e especializados”, pontua.

Na mudança de narrativa e de práticas de contratação, o Talent as a Service (TaaS) desponta como um modelo inovador que conecta profissionais a demandas específicas de empresas, gerando oportunidades de continuidade de carreira profissional às pessoas 45+.

O conceito TaaS permite que seniores trabalhem de forma flexível, atendendo a várias organizações simultaneamente, sem os custos associados aos contratos tradicionais. “Para as empresas, é uma forma de acessar conhecimento de executivos experientes”, diz. Os profissionais maduros, completa Juliana, também atuam como mentores naturais para as gerações mais jovens, contribuindo para o desenvolvimento interno das corporações.

O envelhecimento mundial, na visão de Juliana Ramalho, não deve ser encarado como um problema, mas uma oportunidade para construir um mercado de trabalho mais inclusivo, inovador e resiliente. “Afinal, a riqueza de um time está na diversidade e a força de uma sociedade está em valorizar todos os seus talentos de todas as idades”, conclui.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP (26, outubro de 2026)