A NR-1 relacionada à avaliação dos fatores psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) passa a vigorar a partir de amanhã (26/05) com efeito fiscalizador pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para Patricia Pessoa Pousa, executiva de Recursos Humanos, doutora em Saúde Mental e membro do Comitê de Saúde da ABRH-SP, a NR-1 não se encerra como obrigação legal. “Esta talvez seja uma das discussões mais importantes da década para a liderança brasileira. E pode ser uma oportunidade histórica para redesenharmos ambientes de trabalho mais saudáveis, inteligentes, humanos e sustentáveis”, afirma.
Como destaca Patricia Pousa, a NR-1 veio acompanhada de debates e também de informações desencontradas. “Presenciamos muito terrorismo corporativo, conteúdo superficial, muito ‘checklist mágico’, diagnósticos prontos e oportunismo comercial para uma regra que não nasceu para criar pânico, e sim para trazer consciência sobre como o trabalho impacta a saúde das pessoas.”
A NR-1 passa a exigir que empresas reconheçam, avaliem e gerenciem os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho. Segundo a representante do Comitê de Saúde da ABRH-SP, isso tem potencial para mudar profundamente a forma de olhar lideranças, cultura organizacional, metas, relações humanas e sustentabilidade dos negócios.
Neste momento, tão importante quanto a atenção à saúde mental, na visão da especialista, é a forma como o trabalho é organizado, considerando a importância e a urgência de revisões sobre metas inalcançáveis, sobrecarga crônica, assédio, ambiguidade de função, falta de autonomia, lideranças despreparadas e ambientes emocionalmente inseguros. “Tudo isso agora precisa ser identificado, analisado e tratado dentro do gerenciamento de riscos ocupacionais”, ressalta.
Para Patricia Pousa, a essência da NR-01 não é criar empresas “perfeitas”, mas corporações conscientes, considerando que pessoas emocionalmente adoecidas não sustentam inovação, produtividade, segurança, criatividade ou crescimento consistente no longo prazo.
Neste ponto, ela destaca o papel das lideranças com uma função estratégica na sustentabilidade humana das organizações. “O líder que se espera influencia segurança psicológica, clima emocional, percepção de justiça, engajamento, pertencimento, exaustão ou fortalecimento das equipes”, diz.
Com reflexão em face da NR-1, Patricia Pousa reforça que não existe mais sustentabilidade organizacional sem sustentabilidade humana. “Empresas que primeiro compreenderem isso terão vantagens importantes, como redução de absenteísmo e presenteísmo, maior retenção de talentos, fortalecimento da marca empregadora, aumento de engajamento e produtividade sustentável, ambientes mais inovadores e colaborativos, redução de afastamentos e passivos trabalhistas e maior capacidade adaptativa diante das mudanças do futuro do trabalho”, conclui.
Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP(25, maio de 2026)