Domínio de IA supera o diferencial técnico e se torna variável de carreira

Ao analisar mais de um bilhão de anúncios de vagas em seis continentes, com base na Lightcast, maior plataforma de dados de mercado de trabalho do mundo, o novo Barômetro Global de Empregos e IA da PwC constatou que o domínio da inteligência artificial deixou de ser um diferencial técnico e se tornou variável de carreira. “Esta informação tem grande relevância, pois estamos diante do anúncio de vagas reais com salários reais, e não de uma pesquisa de opinião”, afirma João Marcelo Furlan, diretor de IA para RH e Aceleração Digital na ABRH-SP.

Quem domina a IA com habilidade, como destaca Furlan, já recebe em média um prêmio salarial de 62% em relação a um profissional na mesma função sem conhecimento em inteligência artificial. “No Barômetro Global anterior, a média era de 57%. Além disso, a contratação de especialistas em IA cresceu oito vezes mais depressa, considerando o mercado global em 2025”, observa. “Para quem pensa em carreira, uma especialização em inteligência artificial é hoje um dos investimentos com retorno mais rápido que existem. Basta abrir o LinkedIn: as vagas estão lá.”

O dado mais importante, na visão do diretor da ABRH-SP, não é o da tecnologia. Segundo Furlan, as novas tarefas nas funções mais expostas à IA dependem duas vezes e meia mais de capacidades distintamente humanas: julgamento, empatia, criatividade, liderança. “Neste aspecto, o profissional vencedor não é o que compete com a IA, nem o que a ignora. É o que comanda a IA para amplificar a sua performance humana”, ressalta.

Os setores mais expostos à IA são justamente os que têm grande parte das tarefas cognitiva, digital e baseada em informação, “exatamente o que a inteligência artificial sabe fazer”, diz. Em tecnologia, mídia e comunicação, o Brasil lidera a intensidade de contratação em IA. Globalmente, 11,4% das vagas do setor já são para especialistas com habilidades em IA. Destacam-se ainda serviços financeiros e seguros, serviços profissionais de consultoria, jurídico, contabilidade e auditoria e também arquitetura e engenharia de projeto.

Para as empresas, o recado é claro. Organizações mais expostas à IA crescem em produtividade e em headcount duas vezes mais rápido que as menos expostas. “Isso explica fenômenos como o Nubank, um banco altamente exposto à tecnologia que cresce em uma velocidade que o setor tradicional não acompanha”, observa. Furlan destaca ainda o efeito “superstar”. “O top 20 das empresas mais expostas atinge 163% de crescimento de produtividade, contra 33,5% da média do grupo. A diferença entre elas não é a ferramenta, e sim, o método. Essas organizações redesenham o processo em vez de só automatizar tarefas. E essa é a parte chata, que quase ninguém quer fazer. Um estudo do MIT (Massachusetts Institute of Technology) mostra que só cerca de 5% das empresas estão capturando resultado real com IA generativa. O restante está experimentando sem método.”

De acordo com João Marcelo Furlan, a janela para o RH liderar essa transformação, formando líderes que dominam IA com método, está aberta. “Quem ficar esperando para treinar depois vai descobrir que o bonde já passou. E pior: enquanto a pessoa espera o bonde, o carro voador já passou do outro lado da rua. Nessa velocidade, vai sobrar muito emprego para quem tem essas habilidades. E para quem não tem, simplesmente não”, conclui.

Fonte: Assessoria de Comunicação da ABRH-SP (21, setembro de 2026)